31 de jan de 2015

Para refletir

Acho engraçado como as pessoas perdem tempo brigando entre elas pelos comentários das redes sociais. Elas não conhecem umas as outras, não sabem a história uma das outras, não conhecem o caráter uma das outras... elas apenas gostam de brigar. Fazem questão de serem mal educadas, de ofenderem e atingirem verbalmente a pessoa do outro lado do computador.
 
Pedem paz e se tratam com violência. 
Pedem justiça e agem injustamente. 
Pedem amor e espalham o ódio.

Você quer paz? Traga paz para dentro da sua própria casa primeiro. Ensine seus filhos a fazerem o mesmo. Se a paz existir em todas as casas, a paz fora delas é consequência.

Você quer justiça? Aprenda a exercê-la primeiro. Conserte seus próprios erros, aprenda com eles e ensine seus filhos a fazerem o mesmo. Exerça a justiça em sua própria casa e a justiça em grande escala será consequência.

Quer amor? Qual foi a última vez que você agiu com amor? Qual foi a última vez que você levantou do banco no ônibus e deixou um idoso sentar? Qual foi a última vez que você sorriu para seu empregado/empregador e lhe desejou um bom dia? Qual foi a última vez que você agradou o seu cônjuge com algo que você sabe que ele/ela ama? Qual foi a última vez que você disse ao/a seu/sua filho/filha/pai/mãe/etc. que o/a ama? Qual foi a última vez que você viu um lixo jogado na rua e o recolheu? Qual foi a última vez que você ajudou um animal na rua? Qual foi a última vez que você ajudou um desconhecido?

Será mesmo que isso é pedir muito?

Se você não gosta do que acontece ao seu redor, mude suas próprias atitudes e ajude os outros a fazerem o mesmo.

O resto é consequência.

Pense nisso. Mude. Toda mudança precisa de um primeiro passo.
O SEU primeiro passo.


Abraços a todos,
B.Camporezi

20 de out de 2014

Enquanto isso, no TEXAS... II

Olá, Leitores!!!
É um prazer escrever mais um pouquinho para vocês!

Primeiro, para quem ainda não sabe da minha aventura: Os Segredos de Landara é uma trilogia e, para que o livro continue, resolvi me aventurar por um ano pelos desertos e mistérios do Texas, EUA, com o propósito de proporcionar a vocês reais emoções no Reino de Areia, cenário do segundo livro da trilogia: Os segredos de Landara – O Reino de Areia. Essa viagem tem como objetivo pesquisar e conhecer a real emoção e os verdadeiros perigos de estar em um grande deserto. Sentirei na pele os desafios que meus personagens enfrentarão e serei capaz de trazer a cada um de vocês a verdadeira emoção de ler uma história!!!

Então, já se passaram dois meses desde que saí do Brasil. Passei por vários desafios e com eles consegui entender melhor os pensamentos de meus personagens. Posso dizer que estou crescendo muito rápido com essa viagem. Cada dia passo a me entender melhor, e tudo isso é com certeza refletido nos livros. Muitas pessoas me falaram que um ano é tempo demais, mas acho que será o tempo suficiente para eu evoluir em todos os aspectos que eu quero.
Escolhi os Estados Unidos porque existe muito conhecimento sobre técnicas literárias por aqui. Estou fazendo um curso de StoryTelling (a arte de contar histórias) em uma universidade do Texas e estou adorando. Já estou pensando qual será o próximo curso que vou fazer! Cada dia aprendo coisas novas e percebo o quanto o Brasil está defasado nessa área. 

Para ter uma noção, deixo aqui algumas fotos de uma livraria que eu entrei:









Era uma livraria de livros usados e reciclados, então acabei comprando muitos livros!!! Porque o preço estava fantástico. Também fui na Barnes & Nobel, mas não consegui tirar fotos. O que é uma pena porque o lugar é enorme e lindo! Todos os livros são separados perfeitamente entre gêneros, e o mais legal é que eles têm uma sessão para lançamentos e livros antigos também separada por gêneros. Então dá para achar tudo rapidinho. Claro que eu não fiz questão de achar nada rapidinho! Fiquei horas me deliciando com os livros. Saí de lá e ainda não tinha conhecido tudo! Sério, as lojas são muito grandes. 


E, falando em lojas, também passei em algumas lojas que são muito conhecidas por aqui. Fiz algumas compras e me diverti olhando como os americanos vivem. Eles sabem estimular o consumismo! As lojas são sensacionais e os produtos são vendidos a um preço bem acessível. Aqui no Texas o imposto é de 8% sobre o produto, então é super justo. E nem é o lugar com a melhor taxa nos EUA. Alguns estados tem uma taxa ainda menor. Diferente do Brasil! Quer saber quanto você paga de juros sobre os produtos que você compra no Brasil? Ficou curioso? Ok, vou te ajudar... Mas não chore, tá? 
Entre neste site aqui: IMPOSTO NO BRASIL.

Ficou triste? Pois é, amigo... 
Limpe as lágrima e bora continuar...

Deixo aqui mais algumas fotos:

Best Buy!

Macy's!

Não tirei fotos de todas elas para não ficar dando uma de turista enlouquecida! Mas já dá para ter uma noção do tamanho da loja só pelo tamanho do letreiro, né?

Tudo aqui é muito bonito. Mas não consegui viajar muito por medo do vírus Ebola. Acredito que até Dezembro esse vírus já esteja mais controlado, então vou poder continuar com as viagens. Mas, por enquanto, só estou passeando por cidades próximas, tentando ficar o mais distante possível de Dallas. Já tivemos três casos da doença por lá... Muito triste.

E, nesses passeios, encontrei algumas coisas muito legais! Querem ver?

Quem gosta de "Carros" ai?! Encontrei o Mcqueen e o Mate!

Se você se lembra de "Os Padrinhos Mágicos" quando vê esses ônibus, você foi uma criança feliz igual eu! hahaha! Aqui vemos muuuuito desses ônibus escolares. 

Entrei em uma loja e a decoração era de tirar o fôlego. Precisei tirar foto!!! Linda, né?

Confesso que quando vi essa casa, eu pirei! Gente, essa casa é muito parecida com a casa do Tengar, descrita no primeiro livro da trilogia Os Segredos de Landara. A casa é quase uma floresta! 
Perfeita para ele! <3

Aqui no Texas temos muitos pássaros pretos e marrons. Não vi nenhum colorido! Mas, como vocês já devem saber, sempre gostei de penas pretas... hehe. Já entenderam, né? (Ah, Derick...) 
Já tive muitas inspirações observando os corvos. 
É uma delícia ver as penas pretas espalhadas pela rua. 
Derick, Derick... <3

Aqui também tem muito esquilo! E eles são lindos!

Fofos, né?! Sempre morro de rir com eles.

Também tirei algumas fotos na estação de trem, que é linda!




Foi super legal! O Texas é lindo! E ainda nem conheci tudo. 

Bom, vocês sabem que americano não come muito bem, não é? Aqui eles almoçam e jantam hambúrguer! É horrível (e eles não sabem fazer arroz... nem feijão)! 
Mas tem uma coisa que eles sabem fazer muito bem: CAFÉ DA MANHÃ!!! 
Me apaixonei por panqueca e waffle! Eu sempre gostei, para falar a verdade, mas aqui eles têm um caldo maravilhoso que colocam em cima da panqueca ou do waffle... e esse caldo faz toda a diferença! Já não sei mais como viver sem isso! Ainda não conheço a receita desse caldo, porque eles compram pronto, mas é tipo um caramelo... 
...açúcar derretido que não endurece (faz sentido? Não, né?)... sei lá! Sou péssima na cozinha!
Mas é muito bom!

Sim, eu tirei foto para vocês verem:

Panqueca com chocolate, waffle e uvas tudo coberto com o caldo mágico.

Waffles e maça. Só para falar que eu sou saudável! (Só que não!!! Mas eu era! Eu juro que eu era!)

Gostoso, né?

Bom, última novidade do post: 
Meu namorado e eu completamos 10 meses de namoro no dia 15 de outubro de 2014! 
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Foto que ele me mandou! <3 Fofo, né?

Muitas pessoas falam que namoro a distância é impossível, mas quem fala isso nunca conheceu o amor. Quando você realmente gosta de alguém, não importa a distância. É muito difícil aguentar a saudade e conviver com o fato de que os beijos e os abraços que você mais quer estão a muitos quilômetros de você... Mas um casal que se ama consegue superar isso se quiser.
E posso dizer que estou muito feliz de poder compartilhar esse momento com vocês!



É isso ai, meus queridos! Espero que tenham gostado! Logo contarei mais novidades!

Se você tem algum amigo que gosta de ler, não deixe de apresentar Os Segredos de Landara e Posso te contar uma coisa? para ele! Compartilhe essas novidades! Quanto mais amigos entre nós, melhor.

Vejo vocês em breve!



Beijo no coração de cada um de vocês!

Espero vocês em Landara, como sempre! ;) 



B.Camporezi


26 de ago de 2014

Enquanto isso, no TEXAS...

Olá, queridos leitores!!!

Como muitos de vocês já sabem, Os Segredos de Landara é uma trilogia, e para que a aventura continue, resolvi me aventurar por um ano pelos desertos e mistérios do Texas, EUA, com o propósito de proporcionar a vocês reais emoções no Reino de Areia, cenário do segundo livro da trilogia: Os segredos de Landara – O Reino de Areia. Essa viagem tem como objetivo pesquisar e conhecer a real emoção e os verdadeiros perigos de estar em um grande deserto. Sentirei na pele os desafios que meus personagens enfrentarão e serei capaz de trazer a cada um de vocês a verdadeira emoção de ler uma história!!!
Por isso não consegui estar presente na bienal do livro de SP - 2014. Mas, tem alguém muito especial esperando vocês por lá!!! Olha só:



Derick - Bienal de São Paulo (Lindo demais, né?) - Foto de João Daniel (Face do Fotógrafo)

Derick tirando foto com a multidão que se aproximou para conhecê-lo! Arrasou, Derick!

Agora, antes de parar de falar da bienal, vou deixar o convite para todos que quiserem ter essa oportunidade única de conhecer o personagem do livro Os Segredos de Landara!



Voltando ao Texas...

Quanto à minha aventura, cheguei faz quase dez dias e já consegui me estabilizar. Não foi fácil deixar a família e o namorado no Brasil, mas sei que preciso modificar o cenário se eu quiser realmente impressioná-los com o segundo livro. Espero que consigam sentir cada palavra escrita!

Dentre todas as dificuldades, essas foram as mais difíceis:



Conhecer os meus "filhos" pelo FaceTime. 

Saí do país antes deles saírem da gráfica. Então não consegui vê-los antes de ir embora. Foi muito triste ver todo trabalho de longe. Confesso que não segurei o choro quando vi meus sonhos realizados. Tenho um carinho inexplicável por cada livro. Vi o quanto Landara 1 evoluiu e não pude deixar de me emocionar. É muito triste não poder tocá-los, não poder cheirar cada página, não poder sentir a textura da capa... Não consigo explicar o que eu senti. Mas, a vida é feita de escolhas, e eu sei que cada escolha minha trará consequências no futuro. E, pelos meus cálculos, acho que serão consequências muito boas. Por isso, se você já comprou a segunda edição de Os Segredos de Landara, faça tudo isso por mim! Aproveite o livro! Saiba que trabalhei muito e que dei muito suor para fazer com que ele esteja em suas mãos agora.
Acredite, tudo foi feito com muito carinho.



Outra dor (ainda maior que a primeira) é ver minha família e meu amor (na foto) pelo FaceTime. Sempre dei muito valor à minha família e às pessoas que eu sei que se importam verdadeiramente comigo. E sempre digo para todos fazerem o mesmo, porque é muito triste ficar sem isso. Hoje sinto na pele o que é ficar sem o abraço das pessoas que eu amo. E esse sentimento também será importante para a construção do segundo e do terceiro livro (logo vocês vão entender). Ainda bem que com a tecnologia fica muito mais fácil, pelo menos consigo vê-los e trocamos muitas risadas juntos! Mas não é a mesma coisa, e mais uma vez me recordo dos motivos que me fizeram viajar. Sei que isso será muito importante para a minha careira e crescimento pessoal. Meus leitores merecem o melhor, e é exatamente isso que quero oferecer a eles. É o que eu quero oferecer a você que está lendo esse texto agora. Por isso, estou aproveitando cada dia para trazer um grande conhecimento de volta ao Brasil. E novamente digo que espero que vocês apreciem todo o trabalho!
É com amor e muito carinho.

Mas, vamos para as aventuras!!!
(Vou contar só as partes boas, vou pular a parte que perdi minha conexão e tudo mais...)

Bom, logo que cheguei senti uma grande diferença no clima daqui! É muito calor! Muito mesmo!
Queria ficar no ar condicionado, mas era hora de bater perna! 

Fui logo pesquisar algumas construções por aqui, para ter algumas ideias! Encontrei alguns lugares muito lindos que me encheram de inspirações. Seguem as fotos:



Senti diferença na vegetação. Predomina o verde e o marrom, uma vegetação seca, mas muito bonita. Bem diferente do que eu estava acostumada a observar no Brasil.

Aproveitei também para conhecer os meios de transporte! Tem muito trem por aqui! 


Foi super divertido andar de trem e conhecer as diversas paisagens do trajeto. Esse é o trem que vai para Dallas. É uma cidade bem bonita, mas, como fugia um pouco do que eu estava procurando, voltei logo.

Agora estou planejando uma pequena viagem para passar alguns dias em um Deserto MESMO daqui do Texas.  Com certeza voltarei com muita história para contar, não é verdade?

Espero que tenham gostado!
Logo postarei mais aventuras! Fiquem de olho no blog e no meu site.

Beijo no coração de cada um de vocês!

Espero vocês em Landara, como sempre! ;) 

B.Camporezi. 
          

17 de dez de 2013

Os 3 primeiros capítulos!


Divulgação dos 3 primeiros capítulos do primeiro livro da trilogia! 
Os segredos de Landara - Redescobrindo o passado.

Sua chance de conhecer essa ilha misteriosa!


Prólogo
Sentia as areias em meus braços enquanto olhava para o céu.
Meu pai fazia o almoço e tudo o que eu queria era ficar
deitada na praia, tentando esquecer que a pesca não tinha sido
tão boa naquele dia. Superaríamos com certeza.
O sol ofuscava minhas vistas, mas não muito, então pude ver
algo plainando no céu. Uma silhueta muito grande, com asas
enormes. Pensei por um instante que fosse um pássaro, mas algo
nele estava estranho. Percebi que tinha quatro patas, que se mexiam
no ar juntamente com suas asas. Aquilo com certeza não
era um pássaro.
Levantei-me para observar melhor, mas o misterioso animal
havia desaparecido.

1
A luz que entrava pela pequena janela encontrava
meus olhos ainda sonolentos. Sentia-me fraca e
completamente perdida. Onde eu estava?
Esfreguei meus olhos tentando me lembrar do que havia acontecido
comigo. Um grande branco preenchia minha mente. Levantei-
me assustada e me deparei com as grades que me prendiam.
Uma sensação estranha percorreu meu corpo. Por que eu estava
presa? Olhei em volta. Era um lugar nada acolhedor; o piso em
cimento, assim como as paredes, que ainda estavam manchadas
com a tinta velha. A parede da janela continha diversas manchas
de umidade e a cama, que um dia também foi branca,
trazia um fino colchão rasgado. Tudo parecia estar enferrujado
e com mofo.
Não me lembro de ter dormido aqui... Não me lembro de
nada...
Olhei para o lado e vi um prato de comida. Não, provavelmente
não podia chamar aquilo de comida. Embrulhou-me o
estômago. Tentei não olhar novamente para aquilo.
O enjoo aumentou quando respirei aquele conjunto de odores.
Odeio coisas úmidas, e aquele cheiro forte lembrava-me
constantemente disso. Era uma mistura de mofo, comida velha,
terra, mato e roupas sujas.
Encostei minhas costas na parede. Esfreguei meus olhos mais
uma vez, tentando imaginar que tudo aquilo era um sonho, e que
logo, logo eu acordaria e finalmente entenderia o que estava acontecendo.
Mas, ao abri-los novamente, tive vontade de chorar.
* * *
Meu Deus, quem sou eu?
Respirei fundo, engoli o choro e voltei a observar o lugar.
Havia diversas outras celas, pude observar uma em frente à minha,
onde se encontrava um homem mal vestido, com os olhos
semicerrados, encostado naquilo que chamavam de cama.
O homem parecia calmo, quieto e perturbado ao mesmo
tempo. Seus cabelos não tão grisalhos, compridos e mal cuidados
apoiavam em seu ombro. Provavelmente ele sabia mais
coisas do que eu. Talvez ele pudesse me explicar o motivo de
tudo isso. Não custava tentar...
– Senhor – chamei sua atenção –, desculpe incomodar, mas
pode me dizer onde estamos? – perguntei.
Ele levantou um pouco a cabeça, olhou para mim com os
olhos ainda se fechando e voltou a abaixá-la.
– Presos – respondeu indiferente.
Aproximei-me um pouco mais da grade. Precisava mais do
que isso.
– Por quê? – eu o olhava atentamente.
– Você? Não sei, mas eu roubei uma coisa – disse ainda encostado,
sem se importar com a minha preocupação.
Senti um aperto no coração, estava completamente perdida,
esquecida e abandonada. Não fazia ideia de quem era o homem
cabeludo com quem tentava conversar e sempre que eu pensava
em qualquer coisa relacionada a mim, nada se passava à minha
mente.
– Não me lembro de nada – confessei.
– Então provavelmente estava envolvida com drogas... – ele
finalmente olhou para mim, com um sorriso escondido.
– Eu não me drogo.
– Você não se lembra – ele riu.
– Não, eu realmente não me drogo – retruquei.
Ele virou mais uma vez o rosto, voltando como estava inicialmente.
Apático.
– Pois é... Não posso te ajudar – disse.
Sentei-me ao lado da grade enferrujada que me prendia, encostando
minha cabeça na parede.
– Qual seu nome? – perguntei.
– James. James Veber.
Respirei fundo e tentei novamente.
– James, eu preciso sair daqui.
Ele levantou, rindo, segurou as grades com as duas mãos e
olhou firme para mim.
– Faça-me rir! É impossível, gracinha. Você não vai conseguir
sair daqui, compreende? – Ele me olhou atentamente, pensando
em algo. – Principalmente, porque você deve ser perigosa, a cela
que você está é reservada para os piores – ele sorriu com malícia.
– Alguém deve ter me confundido – afirmei.
– Não, ninguém se confunde aqui – ele colocou o rosto entre
as grades. – Conte-me a verdade. Qual é o seu poder?
Seus olhos verdes miravam os meus de um modo semelhante
ao de uma pessoa louca e maníaca. Estavam fixos, curiosos e
com uma esperança a qual não entendi.
– Não tenho nenhum poder, do que você está falando? – disse
ainda mais perdida do que antes.
– Não se faça de desentendida, não pode ter se esquecido do
próprio poder – gritou.
Ele gesticulava demais para uma pessoa normal. Era estranho
observá-lo: hora ele estava quieto demais, hora elétrico demais.
– Eu não estou te entendendo... Falo sério – tentei convencê-
lo.
– Ah... Quer saber? Tanto faz! – gesticulou, jogando os braços
para cima e arregalando os olhos, se virando para sentar
novamente na posição inicial.
Que cara louco...
Cheguei a me perguntar se realmente tinha sido uma boa
ideia conversar com ele. Mas, sinceramente, não havia outra
pessoa, e eu precisava de respostas.
– O que você roubou? – perguntei baixinho.
– A mente de uma mulher.
– O quê?! – gritei.
– Olhe só – ele se virou, veio andando ajoelhado até a grade
e olhou para mim –, você não vai encontrar ninguém normal
aqui, viu. Todos nós estamos aqui por um motivo, um motivo
que ninguém sabe, mas todo mundo quer saber, alguma coisa
estranha, porque é o que nós somos, tá acompanhando? – ele
pausou. – É, pela sua cara você não tá acompanhando nada.
Fiquei parada, olhando para ele, não sabia o que dizer. Por
uns dois segundos tentei digerir o que ele falou, e quando vi que
não adiantava, abri o jogo.
* * *
– Filho, eu não entendi nada.
Ele bufou, virou os olhos e sentou-se no chão.
– É o seguinte. Você precisa acelerar o entendimento, compreendeu? – 
Balancei a cabeça, mesmo não entendendo bulhufas. – Existem pessoas, 
como nós, que são perigosas, poderosas, nós conseguimos fazer 
coisas... Você não, porque nem sabe o que faz, mas todos aqui dentro, sim.
Caramba, vou bater nesse cara. Será que se eu passar cinquenta
anos aqui ele consegue me explicar?
– James, pelo amor de Deus, me explica direito. Eu não estou
entendendo nada. O que significa isso? Que lugar é esse? Quem
manda aqui? Quem me prendeu? E por que estou presa?
– Primeiro você precisa se acalmar. Segundo, eu já esqueci as
últimas perguntas que você fez...
Respirei fundo. Me acalmei... E voltei a falar, pausadamente.
– Quem é perigoso?
– Todos nós, todos que estão aqui dentro... – Ele levantou. –
Esse lugar foi construído para desativar nossos poderes, aqui dentro
parecemos humanos. É horrível – dizia, gesticulando muito.
– Quem construiu? – perguntei.
Ele se abaixou novamente, olhou para os lados e sussurrou.
– Patrick.
– Quem é ele? – fitei seus olhos, feliz por estar conseguindo
algumas respostas.
– Ele tem um plano. Ele usa a todos nós. Ele quer os nossos poderes.
Você tem sorte de não saber seu poder, assim quando ele perguntar
não estará mentindo e não será castigada por isso. Sim, ele
detecta a mentira, não dá pra mentir, acredite, eu tentei, não estou
mentindo, não minto mais, acho que aprendi a lição. Verdade...
– Acalme-se... Não consigo acompanhar suas palavras... –
Coloquei as mãos na cabeça, entre meus cabelos castanhos,
tentando organizar meus pensamentos de forma que pudesse
entendê-lo.
– Às vezes, eu falo demais. – Ele abaixou a cabeça e ficou
olhando para as mãos.
Ele era extremamente perturbado. Mas alguma coisa me dizia
que, no fundo, James tinha uma mente brilhante.
– Há quanto tempo você está aqui? – perguntei um pouco
com medo da resposta.
– Quatro anos e três dias. Amanhã faz quatro dias, e depois
cinco, e depois seis... Compreende?
Balancei a cabeça. Não era possível. Estava anestesiada, não
me conformava com aquilo. James não parecia alguém que deveria
ficar tanto tempo preso. Aquele lugar me assustava, principalmente
porque não entendia o que acontecia ali, eu não sabia
de nada. E tudo que descobria me assustava.
– Você disse que roubou uma mente? Como isso é possível? –
Não queria acreditar que ele era louco. Não queria acreditar que
aquilo não era uma cadeia e sim um hospício, pois se esse fosse o
caso, estaria tão louca como ele... e não me sentia assim, por mais
que eu não soubesse quem era, ou quem sou no momento.
Aqueles olhos verdes me encararam. James, então, se aproximou
ainda mais da grade e sussurrou.
– Abra a sua imaginação, mas não abra muito, porque alguém
pode entrar nela. A mente, os sonhos... A distração. E
BUM! – Assustei-me com o grito. – Lá estou eu.
– Você consegue entrar na mente das pessoas? – Ele balançou
a cabeça. – Que incrível.
* * *
Para mim, tudo o que ele falava parecia impossível, mas a
cada segundo me convencia a acreditar. Não tinha ideia de nada
do que acontecia e nem sabia quem eu realmente era. Então,
tudo o que estava sendo dito podia com certeza ser verdade. E,
além disso, se não acreditasse nele, que estava na mesma situação
que eu, em quem acreditaria? Talvez o melhor fosse aproveitar
toda essa loucura para descobrir quem sou.
– Então, talvez isso seja de ajuda. Pode ler minha mente e me
contar quem sou e como vim parar aqui? – perguntei.
James olhou entre as grades.
– Se você não sabe quem é... Como eu vou saber? – Ele levantou
uma sobrancelha e esbugalhou o olho que estava fixo nos
meus. – Brincadeira! Posso sim.
– Faça isso então! – disse animada.
– Você não escutou nada do que eu disse? – Balançou a cabeça.
– Meu poder não funciona aqui! Castelo e poder não combinam.
Nada de poder no castelo assombrado.
– O quê? – Não acredito que minha única esperança foi jogada
fora. – Droga! E como faço para sair daqui?
– Não faz! – ele riu.
– Não! Eu preciso fazer! – gritei.
– Relaxa, filha, depois do segundo ano esse desespero diminui.
– Você não está entendendo! Eu não vou ficar aqui nem mais
um segundo! – Levantei-me e comecei a gritar. – Eu quero sair!
Exijo sair! Por que estou aqui? Alguém! Ninguém escuta, não?
Fiquei alguns minutos gritando, mas ninguém se manifestou.
Sentei novamente, sentindo-me inútil.
– Que droga! – resmunguei.
– É... Pois é...
Respirei fundo, me acalmando, me conformando.
Olhei para James.
* * *
Era engraçado olhar para ele. Ele me lembrava alguém muito
conhecido, talvez de algum filme. Mas quem será?
Olhei para James atentamente, prestando atenção na curvatura
de seu rosto, no cabelo, no modo de se vestir... Eu conhecia
aquele jeito...
Ah, lembrei! Ele parecia o Capitão Jack Sparrow de Piratas
do Caribe. Realmente muito parecido. Recordo-me de assistir o
filme quando era mais nova...
Fiquei feliz por ter lembrado alguma coisa. Mas, por que
será que lembro apenas dessas coisas banais, como meus filmes
favoritos, o rosto de artistas famosos ou coisas parecidas e nem
passa pela minha cabeça o meu próprio nome? Isso me deixava
extremamente desconfiada. Eu não poderia ter perdido só as
informações importantes do nada. Deveria haver alguma coisa
podre por trás disso. Mas não era hora de pensar nesse assunto.
Por isso, resolvi compartilhar minha opinião com James.
– Você tem cara de pirata do século 19 – ri e apoiei minha
cabeça na parede.
– E eu sou.
Engasguei-me. Olhei para ele esperando que desmentisse.
– O quê? Eu estava brincando... É brincadeira sua também,
não é? – perguntei.
– Não, tá vendo aquela mulher ali?
Ele apontou para uma cela ali perto, havia nela uma mulher
toda de preto e com a pele bem pálida. Olhos fundos e escuros,
circulados por uma grande olheira roxa. Ela mal se mexia.
– Sim, quem é ela?
– Ela tem 1052 anos. O poder dela é nunca envelhecer, e ela
pode passar isso para as pessoas se quiser. A cada três anos, ela
me procura e passa um pouco desse poder para mim, e eu nunca
morro. Nem envelheço tanto.
– O quê? Espere aí! Ela passa o poder dela pra você?
– Sim.
– E ela simplesmente vem te procurar para isso?
– Claro que não – ele olhou em meus olhos, com certo sorriso
nos lábios. – De quem você acha que eu roubei a mente?
Esbugalhei os olhos.
Ele percebeu que eu precisava de uma explicação um pouquinho
melhor do que aquela e começou a falar.
– Ela vivia livremente quando a conheci. Naquele dia, disse
que queria ver o meu navio e que sempre quis saber como navegar.
Pediu para eu ensiná-la. Ela tinha uma fama ruim, então eu
recusei, é claro. Só que ela ficou extremamente irritada com isso
e mandou sua criatura me atacar. Eu me protegi e aproveitei para
entrar na mente dela. E aí... Bom, aí ela literalmente se ferrou.
Na mente dela, pude aprender uma porção de coisas. Inclusive
que ela não morria. Então, eu a obriguei a ficar conectada a mim
pelo resto da eternidade, e a cada três anos ela simplesmente me
procura, me entrega um pouquinho de seu poder e depois vai embora.
E assim vamos vivendo. Mas depois acabamos presos neste
castelo. Disseram que eu estava sendo preso por roubar a mente
dela, mas até hoje não sei se isso é verdade. Eu desconfio de algumas
coisas. Por exemplo, se eu fui preso por roubar a mente dela,
ela foi presa por quê? Não faz sentido!
* * *
– Caramba... É muita informação. Mas... Que criatura ela
tinha? O que é isso?
– Não conhece nossos animais? – ele perguntou como se
aquilo fosse um absurdo.
– Não... – respondi constrangida.
James segurou nas grades e fixou seus olhos nos meus.
– Eu não faço ideia do mundo em que você vivia antigamente,
mas aqui dentro, terá de levar sua fantasia mais a sério.
Os sonhos, as criaturas, coisas que você nunca imaginou existir...
Tudo existe. Dependemos de tudo isso, e dependeremos
ainda mais se você quiser sair desse inferno viva.
Minha mão apertava tão fortemente a grade que eu nem a sentia
mais. Com o coração batendo forte, escutava tudo com muita atenção,
mesmo sem entender. James virou-se e sentou-se no chão novamente,
dessa vez olhando para a parede à sua frente, e continuou.
– Você entenderá...
E fechou os olhos.

2
As coisas tinham acontecido rápido demais. Não sabia
onde estava, nem por que estava ali, e também não sabia
quem eu realmente era. Conheci um cara doido que dizia ser
pirata e ladrão de mentes e que jurava que eu tinha um poder. O
que mais faltava acontecer?
Encostei minha cabeça na parede e fechei meus olhos.
– Ei!
Abri-os novamente e olhei para o lado. Era James me chamando.
– O que foi?
– Você vai dormir? Não durma não. Não faça isso, é tentador
demais e eu não posso. Você sabe que não posso. Não sabe? Só
falta um restinho e desperdiçar com bobeiras não é legal – James
começou a jogar palavras sem sentido no ar.
– Você deve ter sérios problemas – concluí. – Do que você
está falando?
– Da poção, mulher!
– Que poção, homem?
– Que eu tenho.
– O que você tem? – apertei os olhos.
– Tudo bem, te explico. – Ele respirou fundo. – Tudo começou
quando eu era capitão do navio. Eu era dos bons, sabe...
– ele suspirou, lembrando com saudade de seu tempo livre. – E
um dia nós sabotamos uma princesa que vive no extremo norte,
porque eu sabia que ela escondia uma coisa muito importante.
É um reino pequeno, quase ninguém sabe de sua existência,
mas ele pode ser avistado do mar, se estivermos bem na beirada.
Bom, então a roubei. Era uma poção, mágica, feita por uma mulher
incrivelmente perturbada e poderosa. A poção faz com que
o poder de qualquer um funcione em qualquer lugar. Inclusive
na humanidade. Cada gota significa uma hora de poder livre.
Isso, é claro, inclui o castelo também.
– O quê? Não acredito! Então você pode ler a minha mente!
– Levantei em um pulo do chão e sorri para ele.
– Não. Eu tenho apenas uma gota. Uma única gota que precisa
ser usada na hora certa, você compreende?
– Ah! Então por que raios você me contou isso? – gritei.
– Porque se você dormir eu ficarei muito curioso para conhecer
a sua mente e talvez eu não resista a beber da última gota.
– Ah, é? Talvez eu durma – eu disse com um sorriso no rosto.
– Não faça isso.
– Eu disse talvez...
– Não estou gostando do seu olhar. Não faça o que você está
pensando em fazer.
– Ah, então seus poderes voltaram? Já sabe o que eu estou
pensando...
– Não... Foi intuição “piratesca”.
– O quê? – ri um pouco, mesmo sem entender, foi engraçado.
– A gente adquire algo do tipo quando vive no mar – ele deu
de ombros.
– Você é doido – sorri.
– Eu sei. Por isso sobrevivi tanto tempo.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, um barulho sincronizado
de batidas começou a se aproximar rapidamente.
Notei uma movimentação estranha dos prisioneiros, como se
estivessem assustados. Com medo.
O que estava acontecendo?
James deitou em sua cama correndo e fingiu que estava
dormindo. Percebi que sua mão tremia um pouco. Fiquei mais
assustada vendo-o agir daquela maneira. Eu não o conhecia
direito, mas sabia que ele não era um covarde. Alguma coisa
importante se aproximava. Algo ou alguém que era temido por
todos no lugar.
Segundos depois, pude ver de onde as batidas vinham. Era
uma marcha de soldados, todos uniformizados de vermelho e
preto. Eles pararam em frente à minha cela. Um deles, o primeiro
da formação, trazia um animal que andava ao seu lado, de
tamanho médio. Primeiro, pensei que fosse um tipo de ave, mas
me enganei. O rosto de águia com o corpo de um gato bem peludo,
um gato-do-mato um pouco diferente. Suas asas eram de
um roxo-azulado bem forte e a cabeça de águia era branca com as
pontas das penas rosa-escura. Bico amarelado, corpo cinza e patas
brancas. Pude ver uma cicatriz em seu olho quando ele rosnou
para mim. Sim, uma quase águia que rosna. James tinha razão... É
bom me acostumar com coisas absurdas. Mas eu tinha de admitir
que aquele animal era incrivelmente lindo.
– Patrick quer falar com você – declarou um dos soldados se
direcionando a mim.
* * *
Ele tirou uma chave estranha do bolso, não parecia uma chave,
era bem pontuda e com um design diferente, parecia um tipo
de raio. Lembro-me de uma pedra, um pouco branca com borda
azul bem brilhante, mas não consegui ver direito. Ele fez um
“xis” na grade com a ponta da chave e a porta se abriu.
Outro entrou em minha cela e me algemou com um tipo
estranho de algema, não sei como descrevê-la. Era uma corda
azul brilhante que, ao encostar-se em minha pele, se enroscou
ao meu braço e se prendeu também a minha cintura. Não conseguia
me mexer, apenas andar.
James ainda fingia dormir, e eu estava com medo. Com
medo de tudo, principalmente daquela gente desconhecida,
que fazia questão de deixar algumas marcas de sangue no uniforme.
Sim, por mais impecável que o uniforme parecesse estar,
não era possível esconder as manchas. Não sei ainda para
onde estavam me levando, mas não seria uma coisa boa. Disso
podia ter certeza.
Eu não gostava de sentir medo, não lembro direito, mas
acho que não é um dos sentimentos que costumo ter com tanta
frequência.
Olhei para o lado e vi o gato enorme novamente. Encarei
aquele animal incrível. Seus olhos se fixaram nos meus por
alguns segundos. Outro rugido saiu de sua garganta e então
desviei meus olhos e voltei a andar na direção que o soldado
mandava. Mas uma coisa me chamou atenção, e eu parei
para observar. O soldado que falou comigo pegou novamente
a chave e se aproximou da estranha águia. Percebi que havia
um tipo de símbolo no braço do animal, não sei se era feito de
ouro ou apenas pintado de dourado. Então, o soldado encostou
a chave no símbolo, arrastou-a por alguns poucos centímetros
na vertical para baixo e a fincou num tipo de buraco que havia
no símbolo. O animal de imediato se abaixou, como se oferecendo
carona para o soldado, e ele, então, subiu em seu ombro.
Eles foram juntos na nossa frente.
* * *
Eu caminhava na mesma velocidade dos soldados. Passávamos
entre as celas e parecia que todas aquelas pessoas me olhavam, como
se agradecessem por ainda estarem presas em vez de no meu lugar.
Saímos do setor onde ficavam as celas e entramos em um
enorme corredor. As paredes eram igualmente maltratadas, assim
como as da cela em que eu havia estado. No final do corredor,
havia uma grande escada. Subimos por ela e avistamos uma
porta linda toda em vermelho. Outro soldado tirou uma chave
do bolso, era idêntica à primeira. Ele a encostou na porta e fez
um triângulo com ela. E ela se abriu. Tentei imaginar como as
chaves funcionavam, mas ignorei a curiosidade.
Passamos pela porta e parecia que eu estava em um lugar
completamente diferente. Era lindo. As paredes em marfim, o
chão em mármore, colunas douradas e as cortinas e tapetes vermelhos.
Janelas espalhadas pela sala mostravam uma paisagem
perfeita lá fora. Vários pinheiros espalhados, bem distantes. Um
lugar realmente bonito. Mas eu continuava presa, então nada
daquilo me importava.
James realmente havia mencionado que estávamos em um
castelo. Mas se não estivesse vendo todo esse luxo, não teria
acreditado.
Chegamos a uma nova escada. Linda e enorme. Corrimãos
dourados com alguns desenhos. Reparei nos quadros da escadaria,
todos traziam figuras de criaturas pintadas à tinta óleo. Vi
um quadro em que estava pintado o Águia-Gato que caminhava
na minha frente, levando o soldado nos ombros.
Minutos de caminhada depois paramos em frente a uma
grande porta. Um soldado pegou novamente a chave e dessa vez
ele desenhou um “P” nela, e a porta se abriu.
Dentro dela, pude ver uma silhueta sinistra, que olhava
para mim.

3
-Olá. Que bom que você veio – disse a silhueta sinistra
que me olhava.
– Desculpe a grosseria, senhor, mas não tive escolha para recusar
– retruquei.
Era um homem de cabelos escuros bem lisos, com um bigode
fino.
Um soldado levantou a mão para me ameaçar, mas o homem
riu e o soldado se afastou.
– Você é corajosa. Gosto disso.
Não respondi. Apenas o encarei com olhos desconfiados.
A sala em que estávamos era extremamente ajeitada. A ca-
deira em que o homem se sentava era feita de madeira com o
assento em vermelho. A mesa era enorme e em suas pontas havia
chifres de animais como enfeite. Não era de nenhum animal
que eu conhecia. Fiquei assustada só de pensar em quem seria o
dono daqueles chifres.
Ao lado havia uma grande estante com diversos livros. Livros
científicos, pelo que pude ver. A maioria tinha por título
algo sobre DNA e RNA, os outros falavam de Física, Química,
Geografia... Mas a maioria era de Biologia. Estranhei... O que
ele queria com aqueles livros?
* * *
Pela sala havia vários quadros, mas dessa vez não eram de animais,
pareciam pinturas de humanos quando olhados de longe. Mas
quando me aproximei, percebi que eram pinturas de outras espécies
de gente, se é que posso chamar assim. Eram realmente parecidos
com humanos, mas cada homem desenhado nas pinturas trazia
alguma coisa que deixava claro que não eram humanos. Em um
dos quadros reconheci algo parecido com um minotauro, mas os
outros não sei nem como descrever.
O homem de bigode interrompeu meus pensamentos.
– Diga-me seu nome, garota.
Olhei para ele. E agora? O que eu faço? Eu posso falar qualquer
nome, talvez... Roberta! Ou... Renata... Sei lá! Camila?
– Responda – ele insistiu.
– Ah... É... – Respirei um pouco e continuei: – Eu não faço
a menor ideia, senhor.
– O quê? – ele encostou os cotovelos na mesa e me encarou
ainda mais.
Mas antes que ele pudesse questionar o motivo da minha
resposta, uma voz fina e suave o interrompeu.
– É verdade, Patrick, a memória dela foi apagada. Ela não
lembra nem do próprio nome.
A voz vinha do canto da sala. Era uma garota morena, de
cabelos escuros e olhos verdes. Usava um vestido azul-claro esvoaçante
muito bonito, e na mão trazia um espelho.
O espelho era bem diferente, pelo menos parecia ser bem diferente
de onde eu estava, mas não consegui vê-lo direito. Vi apenas
que ele também era azul, o mesmo tom de azul do vestido.
* * *
Do lado dela havia um animal completamente estranho para
mim. O corpo me lembrou o de uma pantera, mas era mais
peludo e azul, com algumas partes em cinza, sim, o animal de
algum modo era azul. Seu rabo, muito comprido, trazia na ponta
o que parecia ser um tipo de chifre, talvez essa não seja a palavra
certa para usar, mas me lembrou muito de um chifre de veado,
que também tinha uma cor azulada. A face da criatura me
amedrontou. Ela possuía dentes enormes e seu rosto em pele e
osso parecia uma caveira de algum animal. Seus olhos pequenos e
misteriosos olhavam diretamente para mim, mas quando Patrick
falava aqueles olhos se direcionavam para ele, de um modo que
me fez entender que aquele animal não gostava nem um pouco
do homem bigodudo. E ele tinha razão de não gostar.
– Ela não se lembra de nada? Impossível. – Patrick olhou
para mim. – O que você sabe sobre a pesquisa?
– Que pesquisa? – perguntei.
– Ela não se lembra – a garota respondeu.
– Iris, silêncio! – disse, olhando para ela, e voltou a olhar para
mim. Quando a pantera estranha soltou um pequeno rosnado,
ele a ignorou. – O que vocês descobriram?
– Do que você está falando? Eu não sei de nenhuma pesquisa
– respondi.
– Que inferno! Velho esperto! Todo esse trabalho para nada
– Patrick parecia revoltado com algo.
– Você pode me explicar o que está acontecendo? – pedi.
* * *
Patrick levantou-se calmamente e se aproximou de mim.
– Acontece que você era ajudante de laboratório de um velho
cientista chamado Klaus Leone. E vocês trabalham juntos há
muito tempo. Eu fiquei sabendo que recentemente vocês descobriram
uma coisa muito importante, uma coisa que aguardo há mais
de cinco anos, e a quero para mim. Por isso mandei meus guardas
atrás de vocês. Mas Leone conseguiu enganá-los. Eles disseram que
você lutou muito e que seu poder é muito grande, mas o mais impressionante
é que nenhum deles soube me falar que poder é esse.
Enfim, vocês lutaram e provavelmente, quando Klaus, que deveria
estar escondido em algum lugar próximo, viu que você perderia a
luta, ele apagou sua memória, pelo que pude observar agora. Você
desmaiou e meus guardas te trouxeram para o castelo. Não sabia
que ele tinha esse poder de apagar memórias! – Patrick olhou para
Iris. – Por isso a gente não esperava, não é mesmo? A pantera azul
rosnou novamente. Percebi que ela protegia Iris.
– Eu realmente não sabia. O espelho não mostra poderes,
apenas mentiras – Iris se protegeu da acusação.
– Claro... Não é culpa sua – Patrick respondeu a ela.
– Esperem... – pedi atenção – eu sou uma cientista?
– Sim.
– Esse homem pode devolver a minha memória? Esse tal de
Klaus?
– Provavelmente. Não sei – Patrick não parecia tão interessado
em mim agora.
Então, eu precisava encontrá-lo, não aguentava mais viver na
dúvida.
Preciso saber quem eu sou.
– Mais uma pergunta, o que são esses animais? – disse olhando
para a Águia-Gato que ainda estava ao meu lado levando um
soldado nas costas e para a estranha pantera ao lado da garota
de vestido azul.
* * *
– Não lembra nada mesmo, hein, menina? – ele sorriu. –
Existem inúmeras criaturas dessas – começou a explicar. – Várias.
Algumas nem são conhecidas por nós. Elas agem por instinto,
são inclusive perigosas. Mas alguns anos atrás você e seu
amigo inventaram um modo de controlá-los. Está vendo isso no
braço dele, tipo uma fechadura? Se você introduzir essa chave
– ele tirou uma chave do bolso, igual às primeiras que vi com os
guardas – nessa fechadura, o animal te obedece e é possível até
montá-lo.
– Eu inventei isso?
Olhei melhor a chave. Percebi que algumas partes dela eram
compostas por Opalas, uma pedra preciosa bastante encontrada
na Austrália. A chave era muito bonita. Mas entendi que não
era só isso que era feito de pedra. Olhei melhor a sala e vi um
grande arco em Hematita pendurado na parede vermelha. O
que aquilo significava? Será mesmo que era só um enfeite?
– É engraçado ver você pedindo explicação de uma invenção
sua, não é? – Patrick chamou a minha atenção.
* * *
Abaixei os olhos. Aquilo era ridículo.
– Se você sabe tanto de mim, por que não sabe meu nome?
Por que perguntou quem sou eu?
– Porque eu nunca me interessei por você, apenas pelo seu
trabalho. E nunca tinha te visto pessoalmente.
Um soldado se aproximou de mim, acredito que para me
tirar da sala. Mas eu não podia voltar para minha cela agora,
precisava descobrir mais coisas. Então, me afastei da mão alheia
que procurava meu braço e voltei a fazer perguntas.
– Por que você prende essas pessoas? O que elas fizeram?
Patrick sorriu e respondeu maliciosamente. O soldado se
afastou.
– Elas nasceram com poderes incríveis.
Não entendi o que ele quis dizer com isso. Mas sabia que boa
coisa não era, e era claro que ele estava tramando algo.
– E o que você quer com eles? – perguntei com medo da
resposta.
– Sempre quero tudo, mas o melhor é que você e seu amigo
sempre me dão o que eu quero. E se meus informantes estiverem
certos, logo, logo a minha próxima ambição estará próxima
de se realizar. Só preciso colocar a mão na sua última pesquisa.

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